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Babá de cachorro

Por TIAGO CORDEIRO

0,,69828901,00Sergio Hernandes, fundador da PetHub

Seguindo o estilo do couchsurfing.org (em que você encontra sofás para dormir em casas ao redor do mundo) e do AirBnb (site em que pessoas colocam quartos ou sua casa inteira para aluguel de temporada), o PetHub é uma plataforma online em que se encontra gente disposta a hospedar animais de estimação cobrando geralmente menos do que os hotéis para bichos — em São Paulo, eles não cobram menos do que R$ 50 na diária. No PetHub, é possível achar hospedagem por R$ 25. Mas, dependendo da mordomia, elas chegam a R$ 120. “Alguns cuidadores oferecem banhos e massagens, e isso aumenta o valor”, diz Sergio Hernandes, que deixou o cargo de gerente de projetos da Embratel para criar a PetHub.

Seguindo a onda de startups voltadas para animais de estimação surgidas nos últimos meses — a maioria serviços de assinaturas de produtos, como a Pack4pet, ou de localização de animais perdidos, como a FindMyPet ou a CãoFácil —, o PetHub foi criado, em dezembro do ano passado, a partir de uma experiência pessoal de Hernandes. “Tinha uma viagem marcada com minha esposa e os pais dela, mas meu sogro acabou ficando na minha casa para cuidar do nosso cachorro.”

O site funciona assim: os interessados em hospedar se cadastram e especificam que tipo de animais — como cães, gatos, peixes, aves e animais exóticos, como iguanas — têm condições de cuidar. Quem procura hospedagem entra lá e confere as ofertas. A renda da plataforma vem da taxa de 15% cobrada sobre cada diária — o pagamento é feito sempre um dia depois da devolução do animal.

Até o final de maio o PetHub já tinha 2 mil usuários cadastrados — entre os que oferecem e procuram hospedagem — nas cidades de São Paulo e ABC paulista. Em junho, o serviço foi ampliado para Baixada Santista e Rio de Janeiro, e, nos próximos meses, deverá chegar a Salvador, Belo Horizonte e Brasília. A intenção é explorar ao máximo o mercado de animais de estimação, que vai muito bem. Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), faturou R$ 14,2 bilhões em 2012, 16% a mais do que no ano anterior. “Por enquanto estamos reinvestindo tudo o que ganhamos”, afirma Hernandes. Mas pode ser questão de tempo. Afinal, esse mercado é bom pra cachorro.

 

 Fonte: Revista Galileu

LinkedIn tem aumento de número de usuários e receitas sobem 59%

linkedin(Imagem: Reprodução)

O LinkedIn manteve sua série de resultados positivos e novamente surpreendeu os analistas de Wall Street. A rede social anunciou os bons números alcançados no segundo trimestre fiscal de 2013, que mostra que o serviço ainda está em ascensão.

Os dados divulgados pela empresa mostra que a base de usuários da rede social cresceu em 20 milhões nos últimos três meses. O valor saltou de 218 milhões até março para 238 milhões no último trimestre.

Já em termos financeiros, a empresa mostra que está bem das pernas. As receitas da companhia aumentaram em 59% em relação ao mesmo período do ano passado. O salto foi de 228,2 milhões para US$ 363,7 milhões.

A empresa também viu um aumento nos lucros. O segundo trimestre fiscal de 2013 resultou em um lucro líquido de 3,7 milhões, contra US$ 2,8 milhões nesta mesma época de 2012.

Os números positivos resultaram em mais uma alta brusca no valor das ações da companhia. Os papéis do LinkedIn já fecharam o dia em alta de 4,52%, sendo trocados a US$ 213. No after-market, as ações se valorizam ainda mais, em cerca de 7,28%, custando US$ 228,65.

 

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Fonte: Olhar Digital

‘O que demorava anos hoje leva horas’, diz professor que quer traduzir a web inteira

Quando criança, Luis von Ahn imaginou uma academia onde, em vez de se cobrar mensalidade, a energia gerada pelo esforço físico das pessoas fosse vendida a companhias elétricas.

Hoje, como professor de ciência da computação na Universidade Carnegie Mellon e empresário, von Ahn não perdeu a ideia de vista.

Ele é o homem por trás dos projetos reCaptcha, o sistema de verificação que exige que digitemos os caracteres em uma imagem, e Duolingo, um programa de ensino de idiomas gratuito, ambos com o objetivo de “traduzir a web inteira”.

Luis von Ahn, professor de ciência da computação e empresário (Foto: Divulgação)

No Duolingo, materiais que precisam ser traduzidos são fragmentados e distribuídos entre os exercícios dados aos alunos. Quando o documento estiver completamente traduzido, é devolvido ao dono, que paga pela tradução (clientes como a Wikipédia recebem o serviço de graça).

No caso do reCaptcha, as imagens de letras distorcidas são trechos de livros e documentos mal reconhecidos por scanners no processo de digitalização, de modo que, ao digitá-los, o usuário “contribui” para a digitalização de livros e documentos.

A verificação de ambos é baseada no crowdsourcing, ou seja, na contribuição de várias pessoas que digitam a mesma imagem –ou fazem o mesmo exercício– e geram um padrão de erros e acertos.

Luis von Ahn também foi o primeiro a usar o termo “computação humana”, que descreve a combinação entre habilidades exclusivamente humanas e a capacidade de processamento dos computadores.

A Folha o entrevistou durante o evento WWW2013, que aconteceu no mês passado no Rio.

 


Folha – O que é computação humana e por que ela o fascina?

Luis von Ahn – Existem coisas que computadores não podem fazer, mas seres humanos podem. Seres humanos conseguem decifrar o conteúdo de imagens, mas computadores não. Seres humanos traduzem textos melhor que o computador. Isso é a computação humana, uma questão de eficiência e reutilização das coisas.

Você disse que precisamos traduzir toda a web. Por que é mais difícil fazer isso em algumas línguas que em outras?

A desigualdade é imensa. Mais de 50% da web é em inglês, mas menos de 25% das pessoas que usam a web falam inglês. Para os computadores, a dificuldade das línguas depende da quantidade de informação que existe. Então inglês é relativamente fácil porque há muitos dados, enquanto línguas com menos dados são mais difíceis.

Projetos como o Duolingo podem ter impacto positivo na educação em países em desenvolvimento?

A maioria dos métodos de aprendizado de línguas exige que você tenha dinheiro, e a maioria das pessoas que quer aprender não tem. Eu queria inventar um jeito de ensinar línguas de graça, em que a energia mental das pessoas fosse usada para fazer algo de valor: traduzir a web. A CNN pagava tradutores profissionais para traduzir seu site, e agora paga a nós.

Cobramos de algumas empresas para traduzir, então de certa maneira eles estão pagando para que pessoas aprendam línguas. Eles nos pagam, e damos às pessoas o ensino de graça.

Como você desenvolveu o método do Duolingo?

Há três anos, não sabíamos nada sobre o ensino de línguas. Então lemos alguns livros e fomos atrás de especialistas. Agora que temos 1 milhão de usuários, fazemos tudo com base nos dados. Por exemplo, se quero saber se devo ensinar adjetivos antes dos advérbios, metade dos próximos 50 mil usuários vai aprender em uma ordem, e a outra metade em outra ordem. Aí medimos qual grupo teve melhores resultados. O método é totalmente baseado em dados, estatística, e não em uma filosofia.

Observamos muitas coisas com esses experimentos. Por exemplo: notamos um leve decréscimo no desempenho de pessoas com 20 anos em relação a pessoas de 10. Também descobrimos que mulheres italianas aprendem inglês 10% mais rápido que homens italianos, mas não tenho ideia do porquê.

A quantidade de dados de que dispomos hoje e a capacidade de processá-los podem mudar o modo como fazemos ciência?

Acredito que sim. Há 20 anos, o ensino de língua funcionava com um professor e 20 alunos. Não dá para saber muito sobre como ensinar melhor com 20 alunos, porque 20 é pouco. Talvez depois de 20 anos você possa inferir algo. Agora, podemos observar 2 milhões de pessoas aprendendo uma língua ao mesmo tempo e conseguimos entender as coisas em horas, em vez de anos. O cientista tenta entender, e o engenheiro só tenta fazer. No meu caso, estou tentando fazer, mais do que entender.

Quais você acha que são as limitações dessa abordagem via dados hoje e amanhã?

Sempre que fazemos uma mudança no Duolingo, fazemos dois tipos de testes. Um deles é experimentar com 1% dos usuários para ver o desempenho. Não descobrimos as razões, só descobrimos o que funciona melhor. O outro teste que fazemos é trazer pessoas até o laboratório para observar se preferem o botão à esquerda ou à direita. Isso é em uma escala bem pequena, com cinco usuários em vez de 50 mil, mas ajuda a descobrir os porquês de muitas coisas. Essa é a diferença: a abordagem via dados é uma caixa preta, não dá para saber os porquês.

Gostaria de ouvir seus comentários sobre o uso que spammers têm feito do crowdsourcing para quebrar Captchas em sites de download ou pornografia, por exemplo.

O que eles fazem é pagar gente para digitar Captchas o dia inteiro, sem escreverem um programa ou um código para fazer isso. Assim eles conseguem acesso ao que o Captcha esteja protegendo, como contas do Facebook. Então cada vez que alguém na Índia digita um Captcha, os spammers ganham uma conta de Facebook que são usadas pra mandar spam.


 

RAIO-X
LUIS VON AHN

IDADE E ORIGEM
34 anos, Guatemala

FORMAÇÃO
PhD em ciência da computação pela Universidade Carnegie Mellon

CARREIRA
Começou a pesquisar criptografia em 2000, com os Captchas, que previnem fraudes. Criou o ESP Game, licenciado pelo Google para melhorar a busca de imagens. Fundou o reCaptcha (recaptcha.net), uma atualização do Captcha, e o Duolingo (duolingo.com), programa de ensino de línguas que acaba de ganhar versão para Android. É também professor de ciência da computação na Universidade Carnegie Mellon

 

Fonte: Folha de S. Paulo

 

Turma da Mônica, o império familiar de Mauricio de Sousa

Mauricio Araújo de Sousa, ao longo de seus até agora 77 anos, criou personagens suficientes para povoar uma pequena cidade. Eles se dividem em turmas. A mais famosa, claro, é a da Mônica, mas existem outras. Chico Bento tem a sua. Tina também, e até o cachorrinho Bidu tem uma.

Mauricio de Sousa (Foto: Roberto Setton)

Jogadores de futebol, então, são um caso à parte: tantos contam com turmas (Pelezinho, Ronaldo, Ronaldinho, Dieguito e Neymar) que nossa hipotética Cidade Maurícia abrigaria um dos campeonatos do esporte mais disputado do planeta. A mesma teria ainda seu cemitério (onde reinaria a turma do Penadinho), seus adolescentes (Mônica Jovem) e, em seu entorno, uma densa floresta habitada por índios da turma do Papa-Capim e pelos animais da turma da Mata.

Mas o que poucos sabem é que tantos personagens são geridos por uma companhia sui generis: em uma época de corporações impessoais e profissionalizadas, a Mauricio de Sousa Produções Ltda. (MSP) é uma empresa fortemente familiar, com partes de sua estrutura produtiva ainda artesanais, constante presença de seu fundador e presidente pelos corredores – e valor estimado em bilhões de dólares.

Mauricio de Sousa e família (Foto: Roberto Setton)

Mauricio recebeu a FORBES Brasil no grande edifício da companhia situado na Lapa, bairro da Zona Oeste paulistana. Ali, entre quase 400 funcionários, ele lidera uma corporação que detém 86% do mercado nacional de quadrinhos infanto-juvenis – o que se traduz em média a 2,5 milhões de revistinhas colocadas nas bancas mensalmente. Ao considerarmos alguns produtos que levam o selo Turma da Mônica, os números espantam: são vendidos a cada mês 800 mil litros de sucos TM Sufresh, 750 toneladas de itens alimentícios da Perdigão, 650 toneladas de maçãs Fischer e 9,5 milhões de unidades do miojo da Turma da Mônica.

É um império, mas (e este é o ponto mais interessante da estrutura da MSP) trata-se de um império familiar que, ao contrário de outros do tipo, funciona. Dos dez filhos do empresário, nada menos que sete estão na companhia, e em postos de comando – a começar por Mônica Sousa, diretora comercial. Sua atual esposa, Alice Takeda, lidera os roteiristas. Uma filha de Mauricio e Alice, Marina, herdou o talento do pai para o desenho e trabalha ali nesta área. Um irmão de Marina, Maurício, atua em uma das mais novas ramificações do grupo, a que trata de games. Há ainda netos do patriarca trabalhando na MSP (“Dois, por enquanto, mas logo serão mais”, conta ele) e uma irmã, Yara Maura, que responde pelo escritório da companhia nos EUA.

A rotatividade de mão de obra é baixa (“As pessoas entram aqui e ficam por décadas. Meu funcionário mais antigo tem 46 anos de casa”) e, de forma incomum para uma corporação desse porte, há várias atividades que ainda são realizadas artesanalmente, como o preenchimento dos balões dos quadrinhos com a fala dos personagens. “Eu poderia botar um computador para fazer isso, mas aí as letrinhas ficariam todas idênticas, seria monótono. E eu não quero perder a ótima funcionária que cuida dessa tarefa”, explica Mauricio. Não se tem notícia de estúdio algum com o porte da Mauricio de Sousa Produções (que, aliás, é a quarta maior empresa do tipo no mundo) que trabalhe sob tais parâmetros.

E, no entanto, vem dando certo. A companhia elevou seu faturamento em 10% no ano passado. Para 2013 projeta que o mesmo crescerá entre 15% e 20%. A MSP não revela números devido às cláusulas de confidencialidade de seus contratos de licenciamento, mas Mauricio conta um episódio que dá uma boa ideia do valor da companhia: há alguns anos um grupo empresarial se propôs a fazer um aporte de recursos na MSP, o qual seria seguido por uma abertura de capital. Os valores? Nada menos que US$ 2 bilhões, divididos em uma primeira parcela de US$ 900 milhões e uma segunda de US$ 1,1 bilhão. A proposta foi rejeitada (e não foi a primeira a ter tal destino) porque Mauricio não aceita perder o controle do grupo, em especial dos núcleos de criação de conteúdo.

Ele defende o modelo de gestão que pratica. “Eu não saberia trabalhar em uma empresa que não fosse familiar. Eu preciso de turma, de contato, desse papo com os parentes, das intervenções da Mônica. Aprendi muito com meus filhos ao longo do tempo; minha filha mais velha tem mais de 50 anos, o mais novo tem 14. Estar ao lado deles é uma escola maravilhosa para mim sob todos os aspectos”, diz. Mauricio afirma não se considerar um empresário (ele se vê sobretudo como quadrinista), mas é claro que é. Um dos mais peculiares do Brasil, e inequivocamente bem-sucedido.

(Foto: Roberto Setton)

Caminhar pelos corredores da MSP é uma festa para os olhos. Nas salas, nas mesas e até nos elevadores há pôsteres, bonecos e toda sorte de produtos remetendo ao universo da turma da Mônica. Mauricio aparenta boa saúde, e demonstra conhecer pelo nome muitos de seus funcionários. Seu volume de voz é baixo, e seu porte físico é pequeno. Ele não desenha nem faz mais roteiros de histórias, com a única exceção das de Horácio, o dinossauro pacífico e gentil que é seu alter-ego no mundo dos quadrinhos (e que ganhará um desenho animado em 3D em 2015). Não é afeito a polêmicas e diz que seus gibis não devem levantar bandeiras, mas sim incorporá-las quando já estiverem erguidas. “Isso é para evitar sentimentos negativos, represálias e críticas contra o conteúdo das historinhas. Temos de estar junto do público, não à frente dele”, justifica.

Vale lembrar que uma das crianças da turma da Mônica, o Xaveco, é filho de pais separados; mas o único personagem aparentemente – porém não declaradamente – homossexual já surgido nas revistinhas da empresa (Caio, amigo de Tina) apenas deu as caras rapidamente dois anos atrás e, depois disso, não foi mais visto. Em contrapartida, Mauricio já criou personagens soropositivos e outros portadores de deficiências visual, auditiva e motora, bem como autismo e síndrome de down – todos representados de forma simpática e humana nas histórias.

E para onde vai agora a MSP? Existem duas linhas que devem ser seguidas. A primeira é a área pedagógica: cartilhas voltadas à alfabetização e revistas em línguas como inglês e espanhol (que já existem e são sucesso de vendas) para ajudar as crianças a conhecerem outros idiomas. “As pessoas nos veem com um cunho social, educacional. Já empregam nosso material com fins didáticos e paradidáticos”, pondera Mônica de Sousa. “Temos autorizado de 100 a 200 pedidos por mês de uso dos personagens em publicações educativas.”

(Imagem: Mauricio de Sousa)

A outra vertente pela qual a empresa avançará é a busca de adequar- se às mudanças que vem sofrendo, nas últimas décadas, seu público-alvo. Mauricio está atento ao fato de que a infância já não é o que costumava ser; as crianças amadurecem e perdem o interesse por brincadeiras mais cedo. Daí o surgimento em 2008 da turma da Mônica Jovem, hoje a revista mais vendida da MSP (e uma das mais vendidas de todo o planeta, só perdendo em tiragem para alguns mangás japoneses).

Em breve estará nas bancas a versão “Jovem” do Chico Bento (o qual vai cursar faculdade de agronomia e morará em uma república de estudantes) e uma grande estreia: um novo personagem, Marcelinho, que se dedicará a ensinar às crianças como cuidarem de seu dinheiro (mesmo que seja só o da mesada). Marcelinho nascerá inspirado no filho caçula do quadrinista, Marcelo.

Mauricio nasceu na pequena cidade paulista de Santa Isabel, a 57 quilômetros de São Paulo. Seu pai, Antonio Mauricio de Souza, também era um artista, mas nunca conseguiu firmar-se nessa carreira. O cartunista José Alberto Lovetro (conhecido como Jal), assessor de comunicação de Mauricio, conta que o pai do futuro quadrinista, ao perceber que seu filho mostrava interesse por desenho, deu-lhe um conselho precioso: “Mauricio, para dar certo nesse trabalho, divida sempre o dia em duas partes – pela manhã, cuide de sua arte; à tarde, cuide dos seus negócios”.

Está claro que o filho resolveu seguir o conselho paterno, e deu conta muito bem de ambas as tarefas. Seu Antonio, certamente, estaria orgulhoso se pudesse vê-lo agora.

Mônica Spada e Sousa (Foto: Roberto Setton)

Liderando as coelhadas

Dona de um gênio forte, decidida, questionadora e organizada: assim é Mônica. Mas não (ou não apenas) a dos gibis; essas são as características de Mônica Spada e Sousa, a segunda filha de Mauricio, que inspirou a personagem e é o contraponto prático ao ramo artístico da família. Mônica é a executiva da turma do Mauricio.

“Gostaria muito de contar quanto ganhamos sobre o preço de capa das revistas, porque sempre acho que recebemos pouco. As empresas que licenciam nossos personagens cada vez querem pagar menos royalties. Já eu, é claro, quero o contrário”, diz. Internamente, ela também é uma lutadora: “Há algum tempo consegui, após muita luta, abrir dentro da MSP um departamento de design que serve só à área comercial. Ninguém queria isso, só eu. Foi uma briga grande, na base da coelhada mesmo”, conta, com um leve sorriso.

Com a óbvia exceção de seu pai, ela é o membro da família que há mais tempo está na empresa. Começou como vendedora na antiga Lojinha da Mônica aos 18 anos, e conta ter sofrido preconceito por ser filha do dono. Já atravessou fases extremamente tensas na MSP: “Tanto que já pedi demissão várias vezes”. Demissão? “Sim, mas meu pai nunca aceitou. Ele foge de mim quando vê que estou brava e só reaparece quando me acalmo”, diz, agora às gargalhadas.

Mônica aparenta menos que seus 52 anos. É formada em desenho industrial e mãe de dois filhos (um dos quais trabalha na MSP). Após Mauricio, é talvez quem melhor personifica a empresa. “Ficamos 16 anos na Abril e saímos porque não aceitávamos as baixas tiragens de nossos gibis. Fomos para a Globo e, em um mês, a tiragem de nossas revistas dobrou – e depois triplicou, e depois quadruplicou. Provamos que a demanda por nossos produtos não vinha sendo atendida”, relata. “Infelizmente, depois de algum tempo começamos a discordar também da Globo em alguns aspectos. Em 2006 mudamos novamente e agora somos editados pela Panini, que tem se mostrado uma grande parceira”, diz ela.

“Creio que abriremos o capital em algum momento, desde que o controle fique com meu pai. Quanto à sucessão, já estamos cuidando disso. Um escritório foi contratado para organizá-la”, conta ela. “Sobretudo, amo meus irmãos, embora, é claro, possa ter mais afinidade com uns e menos com outros. Mas sabemos que precisamos nos manter em acordo. Disso depende o futuro da empresa”, finaliza Mônica, com uma franqueza que não cairia mal em sua xará dos quadrinhos.

 

Fonte: Forbes Brasil

 

Tem certeza de que quer ser um CEO?

“Eu não queria ser CEO”, afirma o americano Marshall Goldsmith, coach de alguns dos maiores líderes do mundo. Aos 61 anos, ele já atendeu cerca de 150 presidentes de grandes empresas e é autor de bestsellers como MOJO e What Got You Here Won’t Get You There, entre outros 31 livros. Em 2011, liderou a lista Thinkers50 Leadership Award, da Harvard Business Review. Em visita a São Paulo para uma palestra na Faculdade Internacional de Negócios Hult (em parceria coma Fundação Dom Cabral), na semana passada, ele falou a NEGÓCIOS sobre o alto preço que os executivos que escolhem este caminho têm que pagar. “Não podem mais falar sem pensar. É preciso pesar os impactos de cada gesto, de cada olhar, de cada decisão”, diz o consultor.

Quer ser um CEO? Prepare-se para encarar as dificuldades (Foto: SHUTTERSTOCK)

Quer ser um CEO? Prepare-se para encarar as dificuldades (Foto: SHUTTERSTOCK)

Se você está pensando em guiar sua carreira para o topo da hierarquia, pare por alguns instantes para colocar na balança alguns dos itens que farão parte do pacote.

1. Aprenda a abrir mão da vitória

Um CEO acostuma-se à sensação de ganhar, segundo Goldsmith. Portanto, quer repetir a experiência sempre – seja em uma discussão na mesa do restaurante, com um amigo, seja uma causa relevante para os resultados da empresa. “É difícil para as pessoas inteligentes e que estão acostumadas a ganhar na vida não vencer o tempo todo”, afirma o consultor.

Se livrar dessa necessidade é um desafio. Goldsmith dá um exemplo: imagine que teve um dia difícil no trabalho. Quando chega em casa e encontra sua mulher, ela comenta: “Você não faz ideia do que tive que aguentar hoje!”. Nessa hora, a tendência do CEO é responder: “Você acha que o seu dia foi difícil porque você não sabe o que eu passei!”. “Nós somos tão competitivos que temos que provar que sofremos mais do que as pessoas com quem vivemos”, afirma o especialista. “Mas para que fazer isso mesmo? Nessa hora, seria bem melhor respirar e falar: ‘Espera! O que eu estou ganhando com isso? Qual é o sentido dessa discussão?”, diz. “A resposta é: não tem sentido”.

2. Um simples comentário não é mais um simples comentário

Tudo o que uma pessoa bem-sucedida diz vem com um acréscimo de valor agregado.

Por exemplo, um profissional inteligente e entusiasmado vai até o chefe e apresenta uma ideia. O gestor acha a sugestão ótima. Mas se é o presidente da empresa, não deve dizer isso dessa forma, de acordo com Goldsmith. “Ele deve falar que a ideia é boa, não ótima. Porque sua opinião tem um peso imensurável”. Ele conta que um de seus clientes disse que, no cargo de CEO, aprendeu “a dura lição de que suas sugestões viram ordens”, afirma. “Sejam elas inteligentes ou estúpidas. Por isso é preciso ter muito cuidado”.

O mesmo cuidado vale para todos os outros momentos da vida de um presidente de empresa. Como uma celebridade, ele está sempre sendo seguido e avaliado pela imprensa. “Qualquer coisa que você diz, vai sair na internet ou no jornal”, diz o consultor. “Até seus e-mails serão de conhecimento público”. Nesse contexto, esqueça a ideia de fazer piadinhas sobre os outros. “Se eu sou um garoto que está três níveis abaixo do presidente, faço uma apresentação e ele faz um comentário sarcástico, minha carreira acabou”.

Marshall Goldsmith (Photo: Denis Poroy)

Marshall Goldsmith (Photo: Denis Poroy)

3. Evite começar frases com “não”, “mas” nem “entretanto”

Se inicia sua fala com uma dessas palavras, só está tentando provar que a outra pessoa está errada ou que não a está ouvindo de verdade, segundo Goldsmith. “É o mesmo que falar: ‘Pode esquecer tudo o que você disse’”. Não é recomendável que um CEO assuma essa postura.

4. Esqueça a ilusão de que riqueza e fama o farão feliz

Várias pesquisas na área da psicologia já provaram que a relação direta entre riqueza e felicidade é um mito. Tampouco as pessoas mais ricas são necessariamente mais tristes. “O que está comprovado que pesa a favor da satisfação éfazer o que gosta e ter uma boa relação com as pessoas queridas”, diz Goldsmith.

5. Considere a hipótese de mudar de empresa

Se está decidido a ser CEO, mas não vê um caminho para isso na organização em que está, não hesite em mudar. “Eu orientei muitos dos meus clientes a fazerem isso”, diz o especialista. Um desses clientes foi Elizabeth Smith, que queria ser CEO da Avon. Como a então presidente Andrea Jung não pensava em deixar o cargo, Elizabeth foi realizar seu propósito em outra empresa, a Bloomin’ Brand, onde está até hoje.

“Para subir na carreira, encare todos os profissionais acima de você como clientes, que terão que comprar o que você está vendendo”, afirma Goldsmith.

6. Esqueça o sonho da vida equilibrada

“Trabalhando muitas horas, sempre sob intensa pressão, sendo observado e avaliado por todos ao redor, ter equilíbrio é um mito”, diz o coach.

7. Pense como uma pessoa jurídica

Antes de aceitar qualquer convite, mesmo que seja tão simples quanto acompanhar um jogo de futebol com os amigos, pergunte-se: “Isso será bom para minha empresa? Será bom para minha família? E para minha saúde?”. Se as três respostas não forem “sim”, a sugestão do consultor é que o CEO diga “não” ao convite.

Seguir este conselho pode ser um aspecto de destaque. “Pouquíssimas pessoas têm essa disciplina, são tão sábias. Esta é a diferença entre um ótimo e um bom CEO”.

8. Aja como um multinacional

Para Goldsmith, a globalização é uma das partes mais difíceis da vida de um CEO atualmente. No passado, a tarefa de liderar se limitava as peculiaridades do país. Hoje, todos precisam estar prontos para entender e se relacionar com outras culturas. “O Brasil está indo bem”, diz ele. “Mas quando vocês atingirem um certo nível de sucesso, os outros países começarão a pensar: ‘Espera aí. Nós conseguimos produzir isso. Por que trabalhar no Brasil? Então, será preciso ser mais competitivo”.

 

Fonte: Época Negócios

 

A história de como o neto do sapateiro ergueu um império

ELEONORA DE LUCENA
de São Paulo

 

Antônio Ermírio de Moraes  (imagem: Eduardo Knapp/Folha)

Antônio Ermírio de Moraes (imagem: Eduardo Knapp/Folha)

Flanando pela rua 24 de Maio, no centro de São Paulo, Antônio Ermírio de Moraes se interessou por um relógio importado numa vitrine. Entrou na loja e perguntou o preço. O vendedor observou a figura em desalinho do homem –roupa simples, mal arrumado, gravata fora do lugar– e respondeu secamente: –Esse não é para o teu bico, vá andando.

O empresário, um dos mais ricos do Brasil, não retrucou e seguiu caminhando até a sede do Grupo Votorantim, na praça Ramos de Azevedo. De lá, comandou um dos maiores conglomerados do continente, atuante em siderurgia, mineração, energia, cimento, celulose, agroindústria, finanças.

A história do vendedor arrogante e do milionário resignado é narrada pelo sociólogo José Pastore em “Antônio Ermírio de Moraes, Memórias de um Diário Confidencial”, em maio nas livrarias.

Pastore convive com Ermírio há 35 anos. Conheceu o empresário em 1979, quando trabalhava no Ministério do Trabalho no governo Figueiredo. Depois, em 1986, atuou na campanha do dono da Votorantim ao governo do Estado de São Paulo. A partir daí, esteve sempre ao lado de Ermírio, acompanhando a evolução do grupo, a ação filantrópica do empresário e até suas incursões no meio artístico como dramaturgo.

No seu relato, Pastore mostra bastidores de um homem obstinado com o trabalho, defensor intransigente do nacionalismo, crítico da especulação financeira. Também aparecem facetas de um personagem de “estopim curto, exageradamente exigente, autoritário” e avesso ao exibicionismo e consumismo.

“Ele não sabe descansar. Tem vergonha de ficar na piscina enquanto os empregados estão trabalhando”, diz Maria Regina, mulher de Ermírio, no livro.

EMPRESÁRIO NACIONAL

Pastore lembra da liderança que Ermírio exerceu entre os empresários, dos seus embates com os ministros dos governos militares e da sua atuação no movimento pela redemocratização.

“Antônio sempre temeu uma eventual desindustrialização do país, tendo sido um defensor incansável da necessidade de fortalecer as empresas nacionais”, diz Pastore.

Crítico dos juros altos –“juro é uma espécie de foguete que dispara a inflação”–, Ermírio atacou o sistema financeiro: “Se eu não acreditasse no Brasil, seria banqueiro”, disse.

Quando foi criado o Banco Votorantim, Ermírio não se conformava com o fato de o banco –que ocupava apenas um andar e empregava poucos funcionários– dar mais lucro do que a sua Companhia Brasileira de Alumínio.

“Fico triste ao ver que uma coisa tão fácil é mais lucrativa do que algo que me tomou a vida inteira”, constatou.

O livro entra nos meandros da campanha a governador de Ermírio e conta como o então candidato ficou chocado com as manobras políticas e fisiológicas: todos que o abordavam pediam cargos para “poder viver sem trabalhar pelo resto da vida”.

“Você acha que eu vou sair da Votorantim para viabilizar suas mutretas?”, respondeu uma vez o empresário.

Segundo Pastore, a frustração com a política levou Ermírio a escrever peças teatrais. Afinal, concluiu que “a política é o maior de todos os teatros”. As idas e vindas da experiência do empresário na dramaturgia é um dos pontos mais atraentes do livro.

O teatro acabou “quebrando a rigidez do empresário durão”, avalia Pastore. Nessa metamorfose, Ermírio passou a acompanhar ensaios noite adentro –e teve que conviver com críticas.

A prática da escrita Ermírio exerceu por 17 anos em sua coluna dominical na Folha. O livro reproduz algumas passagens dos textos e conta como o empresário se dedicava a elaborar uma narrativa atrativa para a divulgação de suas teses sobre o Brasil.

Neto de sapateiro, Ermírio vivia repetindo que queria morrer trabalhando. “Por ironia do destino”, diz Pastore, o empresário “acabou tendo uma combinação de doenças que afetaram sua mente e seus movimentos, imobilizando-o numa cama”: ele sofre de hidrocefalia e mal de Alzheimer. “Foi um destino cruel”, escreve o sociólogo.

Deixando de lado o Grupo Votorantim, que chegou a ser considerado a melhor empresa familiar do mundo, o autor se concentra na pessoa. Conta casos pitorescos -como quando Ermírio foi tirar satisfações de uma gangue que planejava sequestrá-lo.

No prefácio do livro, Fernando Henrique Cardoso afirma que Ermírio é “o tipo ideal de ‘empresário nacional'”. De fato, o relato do fiel escudeiro Pastore ajuda a entender um personagem fundamental para a história recente do país.

Sem telefone celular, ele enxergava vantagem na antiga régua de cálculo em relação ao computador: ela “obriga a pensar”, defendia.

Convivendo com poucos amigos, dizia que não conhecia shoppings. “Mas o senhor não compra nada?”, lhe perguntou uma vez uma repórter. A resposta: “Compro, sim. Compro fábricas”.

 

Fonte: Folha de S. Paulo