Traduções

Você sabia que a “Oração de São Francisco” não foi escrita por ele?

o-PRAYER-OF-ST-FRANCISSão Francisco de Assis (Óleo de Bartolomé E. Murillo)

Acompanhando o verdadeiro São Francisco está sempre a imagem que cada época faz dele, com sua parte de parcialidade, mitificação, lendas e falsas atribuições. Isso é válido também para hoje, apesar dos grandes progressos alcançados rumo a um maior conhecimento do personagem e da sua época.

Um claro exemplo disso é a chamada “Oração de São Francisco” ou “Oração Simples”, digna certamente do Pobrezinho de Assis, que todos atribuem a ele, mas que é de um autor anônimo que viveu há apenas um século.

Na busca das origens desta bela oração, não foi possível ir além do mês de dezembro de 1912, quando foi publicada em “La Clochette” uma “petite revue catholique pieuse” fundada pelo sacerdote e jornalista Esiher Suquerel (+ 1923). Uma das hipóteses é de que ele mesmo tenha sido o autor da prece.

Em 1913, ela foi descoberta por Louis Boissey (+ 1932), apaixonado pelo tema da paz; e, em janeiro, foi publicada nos “Annales de Notre Dame de Paix” (França), citando como origem “La Cloclette”.

No mesmo ano, Estanislau de la Rochethoulon Grente (+ 1941), fundador de “Le Souvernir Normand”, publicou-a em sua revista.

Em 20 de janeiro de 1916, apareceu no “L’Osservatore Romano”, segundo o qual “Le Souvenir Normand” havia enviado ao Santo Padre “o texto de algumas orações pela paz. Entre elas, compraz-nos reproduzir uma, dirigida especialmente ao Sagrado Coração. Eis aqui o texto, com sua comovente simplicidade”.

Em 3 de fevereiro do mesmo ano, “La Croix” de Paris dava a conhecer que, em 25 de janeiro, o cardeal Gasparri havia escrito ao marquês de “La Rochethulon et Gante”, agradecendo-lhe pelo envio feito à Sua Santidade. Três dias depois, o mesmo jornal reproduziu o texto publicado pelo “L’Osservatore Romano”.

Foi naqueles dias que o capuchinho Etienne de Paris, diretor da Ordem Terciária, fez imprimir em Reims uma imagem de São Francisco, com a invocação ao sagrado Coração em seu verso. No rodapé, sublinhava que aquela oração, retirada de “Le Souvenir Normand”, era uma síntese perfeita do ideal franciscano que precisava ser promovido na sociedade da época.

Os primeiros que relacionaram a oração a São Francisco foram os “Chevaliers de la Paix” ou Cavaleiros da Paz, uma organização protestante, às vésperas do 7º centenário da morte do santo (1926).

A partir de 1925, a oração começou a ser difundida pelo mundo afora, a partir dos Estados Unidos e do Canadá. Seguiram-nos os países germânicos. Na mídia católica francesa, começaram a atribuí-la a São Francisco em 1947.

Na segunda metade do século 20, a “Oração Simples”, como a chamavam em Assis, começou a tornar-se popular sobretudo quando os frades do Sacro Convento a imprimiram em diversas línguas, sob o seu nome, nas imagens de São Francisco.

O resto da história nós já conhecemos: difusão no mundo inteiro, infinidade de versões em cada língua e em todas as línguas, devido à diversidade de traduções e “retraduções”, e muitíssimos cânticos inspirados nela.

Esta prece se tornou quase a oração oficial dos escoteiros e das famílias franciscanas; os anglicanos a consideram como a oração ecumênica por excelência; algumas igrejas e congregações protestantes a adotaram inclusive como texto litúrgico; ela foi pronunciada em uma das sessões da ONU; e, ultimamente, está tendo uma grande acolhida entre as religiões não-cristãs, sobretudo desde que Assis se tornou o centro mundial do ecumenismo e do diálogo inter-religioso.

O segredo deste grande sucesso se deve sobretudo à atribuição a São Francisco, mas também à riqueza do conteúdo, unida à sua simplicidade; e é precisamente o conteúdo e o título original, “Invocação ao Sagrado Coração”, que permitem atribuir sua composição a um autor não anterior ao início do século XX.

Uma fonte de inspiração pode ter sido a seguinte fórmula de consagração ao Sagrado Coração, promulgada por Leão XIII em 1899 e recomendada por São Pio X em 1905 para ser recitada anualmente:

“Sê o Rei de todos os que vivem no engano do erro ou que por discordarem de Vós se separaram; chamai-os ao porto da verdade e da unidade da Fé para que assim, em breve, não haja mais que um só rebanho sob um só Pastor. Sê o Rei de todos os que estão envoltos nas superstições do paganismo e não recuseis tirá-los das trevas para traze-los à luz do Reino de Deus. Obtende, oh Senhor, a integridade e liberdade segura para a vossa Igreja; dai a todo o povo a tranquilidade da ordem”.

Tinha razão, de qualquer maneira, o Pe. Etienne de Paris quando encontrava nesta oração anônima certa concordância com o espírito e o estilo franciscanos. Para comprovar isso, é suficiente ler, por exemplo, a Admoestação 27 de São Francisco, escrita como uma estrofe:

Aonde há caridade e sabedoria, não há medo nem ignorância.
Onde há paciência e humildade, não há ira nem perturbação.
Onde à pobreza se une a alegria, não há cobiça nem avareza.

Onde há paz e meditação, não há nervosismo nem dissipação.
Onde o temor de Deus está guardando a casa (cf. Lc 11,21),
o inimigo não encontra porta para entrar.

Isso é o que faz que a oração seja considerada por muitos como franciscana e, ainda que seja um erro atribuí-la a São Francisco de Assis, com certeza ele não se importaria em assiná-la.

 

Oração da Paz

Senhor: Fazei de mim um instrumento de vossa Paz.
Onde houver Ódio, que eu leve o Amor,
Onde houver Ofensa, que eu leve o Perdão.
Onde houver Discórdia, que eu leve a União.
Onde houver Dúvida, que eu leve a Fé.
Onde houver Erro, que eu leve a Verdade.
Onde houver Desespero, que eu leve a Esperança.
Onde houver Tristeza, que eu leve a Alegria.
Onde houver Trevas, que eu leve a Luz!
Ó Mestre,
fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe,
perdoando que se é perdoado,
e é morrendo que se vive para a vida eterna!
Amém.

 

Fonte: Aleteia.org

Conheça a história do saxofonista sueco Hans Berggren, tradutor das obras de José Saramago

16271878Foto: Jessé Giotti / Agencia RBS

Na longínqua Suécia um jovem que tocava sax numa banda punk de rock alternativo ouviu bossa nova e pensou: quero entender o que eles estão dizendo. Talvez com um pouco menos de firulas, essa é a história de como o sueco Hans Berggren, 68 anos, veio parar em Florianópolis há 24 anos e como se tornou o tradutor para a língua nórdica das obras de um dos maiores autores da língua portuguesa, José Saramago (1922 – 2010).

Hasse — Hans é como João em português e Hasse é o apelido óbvio para o nome — é um tipo estiloso, alto, magro, usa óculos e bigode. É figura conhecida no circuito de blues da cidade por tocar sax no grupo Red River Combo — que deu lugar ao extinto Cristiano Ferreira Trio. Quando aportou no país há duas décadas, ele já sabia falar português.

O Brasil sempre me fascinou. A gente ouvia bossa nova e eu tinha que saber o que estava a cantar — conta.

Em 1990 ele tinha um dinheiro guardado, uma boa máquina de escrever e uma biografia do Miles Davis para traduzir. Primeiro passou uns meses no Rio e no ano seguinte aportou na Ilha, onde conheceu a mulher.

O músico debutou como tradutor em 1986. Desde então já traduziu 85 obras, a maioria do inglês para o sueco. Do português traduziu Budapeste, de Chico Buarque, e uma obra de Patricia Melo, quem considera uma grande escritora brasileira.

As traduções de Saramago apareceram por acaso, quando uma colega que já havia traduzido duas obras do autor optou por não traduzir O Evangelho Segundo Jesus Cristo, por ser muito católica. Hasse não recusou o trabalho e depois traduziu praticamente todos os livros do escritor português.

Ele foi muito importante para mim como pessoa e como escritor — afirma.

Às sentenças que nunca têm fim, assim como à fluidez da narrativa e aos ditados populares principalmente em Portugal, comuns na obra de Saramago, Hasse dedica especial atenção, num esforço para que a criação faça também sentido no contexto social e cultural do seu país de origem.

Tento seguir a fluidez. Saramago tem essas sentenças que são enormes e que dão muito trabalho para fazer legível e legal.

Atualmente Hasse trabalha na tradução do livro Flecha de Deus, do escritor nigeriano Chinua Achebe (1930 – 2013). Também traduziu recentemente Noites de Alface, da brasileira Vanessa Bárbara.

Mais do que a literatura, é a música que o tem deixado feliz. Hasse, que toca sax desde os 16 anos e trabalhou como músico profissional na Suécia, está atualmente se dedicando a aprender violão.

E eu quero cantar!

Ainda não traduziu obras da literatura sueca para o português, a não ser para consumo próprio, mas quem quiser vê-lo tocar, que é um espetáculo à parte, é só acompanhar a agenda de shows do Red River Combo.

 

Fonte: Zero Hora

Chega ao Brasil “Bela Baderna”, versão de bolso

BTpocketImagem: beautifultrouble.org

Edição nacional do já clássico Beautiful Trouble – A toolbox for revolution. Malcolm X, Banksy, Gandhi, Occupy Wall Street, Flash Mob, Greve Geral, Movimento Passe Livre: a sabedoria acumulada de décadas de protesto criativo está agora nas mãos da próxima geração de ativistas, graças a Bela Baderna – Ferramentas para revolução.

Organizada por Andrew Boyd e Dave Oswald Mitchell, essa edição pocket reúne, em 168 páginas, Princípios, Teorias e Táticas que servirão para iluminar as ideias dos baderneiros brasileiros. Literalmente para colocar no bolso e ir pra rua!

Com Prefácio Brasileiro assinado pela socióloga, jornalista e ativista política Marília Moschkovich, a edição nacional conta com tradução, revisão e co-editoria da Escola de Ativismo. Além disso, traz três Estudos de Caso inéditos, exclusivos do Brasil: Jornadas de Junho (Revogação do aumento das tarifas de transporte público em São Paulo), Pimp my Carroça e Marãiwatsédé: a terra é dos Xavante.

Sofisticado o bastante para ativistas veteranos e suficientemente acessível para os novatos, Bela Baderna mostra as sinergias entre imaginação artística e estratégia política afiada. Se você também quer um mundo mais belo, mais justo e mais habitável – e quer saber como fazer isso acontecer – , este livro é pra você.

 


capa-cor-finalBela Baderna:
Ferramentas Para Revolução

Organizadores: Andrew Boyd, Dave Oswald Mitchell
Editora: Edições Ideal
Ano: 2013
Onde: Livraria da Folha


 

Fonte: Literatura de Cabeça

Literatura russa conquista livrarias do Brasil

catedral-de-sao-basilio-russia(Imagem: fondospedia.com)

Recordando o grandioso aniversário da Universidade de São Paulo (USP), que fez 80 anos em 25 de janeiro, é grato falar do papel que este grande centro desempenha na área da divulgação da cultura russa e no intercâmbio cultural e científico entre os dois países. Eis aqui um exemplo dos mais recentes: em outubro de 2013, foi assinado um acordo de parceria entre a universidade russa Escola Superior de Economia e a USP. Já existe parceria entre a USP, especialmente o Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais, a FFLCH, e a Universidade Estatal de Moscou Lomonosov, a MGU, e também a Universidade de Humanidades, a Universidade de Estudos Humanitários da Rússia, a RGGU, Universidade Politécnica de São Petersburgo, o Instituto de Literatura Russa Pushkin de São Petersburgo e a Universidade de Nizhny Novgorod. Além disso, há um pouco mais de dois anos, foi criado o LERUSS – Laboratório de Estudos Russos, resultado de um convênio firmado com a Fundação Russky Mir.

Segundo Elena Vassina, professora das Letras Russas da FFLCH, o “boom” começou em 2001 com a exposição “500 anos da arte russa”, que ocorreu em São Paulo, e teve como consequência o crescimento exponencial do interesse pela cultura russa:

“Eu comecei a trabalhar na Universidade de São Paulo, a USP, em 1999. Mas a primeira vez que eu dei um curso na USP, foi em 1993. Nos anos 1990, o interesse pela Rússia e pela literatura russa em particular, era, digamos, mínimo. Além de Boris Schnaiderman, fundador do nosso departamento, Paulo Bezerra, Aurora Fornoni Bernardini, quase ninguém se ocupava, não traduzia e não se interessava pela literatura russa. Por exemplo, quando eu acabava de ingressar na USP, tive no meu grupo 3 alunos. Agora, nos grupos de 1º ano, tenho 50-55 alunos. Esse “boom” dos estudos russos no geral, da Rússia e da literatura russa, começou mais ou menos a partir de 2000. Para sermos mais precisos, após 2002—2003, há dez anos. Tinha uma exposição excelente em 2001, “500 anos da arte russa”, que exerceu um papel muito importante para crescimento do interesse à Rússia. E as editoras, já que isso se tornou uma ocupação bastante rendível, meteram-se a traduzir e publicar literatura russa. De maneira que, ao entrar numa livraria em São Paulo, a primeira coisa que você vê são grandes vitrines e stands com clássicos russos.”

Assim, constatamos que a literatura russa é um elemento importante das relações internacionais. Faz parte, contudo, de um amplo elenco de instrumentos e fatores, partilhando espaço cultural com o cinema e o teatro. Os festivais do cinema russo no Brasil e do cinema brasileiro na Rússia organizados há vários anos, são já uma tradição. Porém, a literatura ocupa o primeiro lugar, destaca Elena Vassina:

“Eu comparo esse interesse pela literatura russa com uma novena onda. Quando no Brasil me perguntam de que nacionalidade eu sou, e eu respondo que sou russa, a primeira associação é esta: “Oh! Dostoievski!” Porque aqui, todo o mundo lê Dostoievski. E felizmente, agora, na Editora 34, Paulo Bezerra traduziu todos os quatro romances principais de Dostoievski, que aparecem pela primeira vez traduzidos diretamente do russo, e devo admitir que traduzidos brilhantemente. Eu acho que a literatura clássica russa é uma enorme riqueza, é algo que é muito grato divulgar no Brasil. É ótimo que o interesse pela Rússia cresça e se nutra da literatura clássica russa”.

Hoje, a literatura russa no Brasil é cada vez mais divulgada. Os clássicos russos são um item importante das vendas das editoras, e o leitor procura esses livros, segundo dados das próprias editoras. Para rematar, as novas edições que surgem, quase obrigatoriamente abordam um autor russo, diz Elena Vassina:

“A verdade é que praticamente todas as grandes editoras do Brasil querem publicar literatura russa porque se vende bem. Eu acabo de ver um livro de Ivan Bunin, editado pela editora Manole, cujos contos traduziu uma mestranda minha. A editora Leya publicou traduções de Klara Gurianova (o livro de Pavel Bassinski sobre Lev Tolstoi). Eu trabalhei com outra mestranda minha com as traduções de ensaios artigos de Tolstoi, publicadas num volume editado pela Companhia das Letras, também uma editora magnífica. Eu nem lembro todas as editoras com que trabalhei traduzindo e editando prefácios sobre a literatura russa. Agora acaba de surgir uma nova editora, Rafael Coppetti, que, claro, quer editar algo russo, e eu estou preparando uma coletânea de artigos sobre Tolstoi. O livro deve aparecer na primeira metade de 2014. Outro projeto legal é a editora Ateliê. Recentemente editaram “Contos da Cartilha” de Tolstoi, ilustrados por alunos da Escola juvenil das artes da cidade russa de Izhevsk. É um projeto de Aurora Bernardini. O livro foi um êxito, porém, passou muito tempo no prelo. Afinal editaram, e agora eu devo partir para Izhevsk para apresentar o livro e visitar as crianças que tinham 6-12 anos naquela altura”.

Cabe indicar que São Paulo possui o único departamento de russo em toda a América Latina que tem mestrado e doutorado. Se fala de toda uma escola de tradução. Arlete Cavaliere, professora da área do russo da USP e tradutora ela mesma, afirma:

“A literatura e a cultura russas estão muito difundidas hoje no Brasil, pois o interesse pelo universo cultural russo já está consolidado entre nós há muitas décadas. E como já existe um grupo consagrado de tradutores e especialistas brasileiros de literatura russa, a maioria deles oriunda da Universidade de São Paulo, as editoras brasileiras, interessadas em difundir a literatura russa, têm procurado regularmente esses tradutores e especialistas para efetivar projetos de tradução de textos de autores russos representativos. Penso que conjugar a pesquisa acadêmica produzida na Universidade com a divulgação dessa mesma pesquisa, por meio de editoras brasileiras representativas, constitui o melhor caminho de fazer chegar ao leitor brasileiro textos literários russos traduzidos com qualidade e rigor, o que, certamente, despertará em nossos leitores um interesse cada vez maior.”

A professora Arlete tem estado várias vezes na Rússia. Em 2010 e 2012, ela participou das duas edições do Congresso de Tradutores em Moscou, um dos maiores eventos internacionais dedicados à literatura e cultura russa no mundo. Arlete Cavaliere é quem fez o público leitor brasileiro conhecer escritores tão importantes como Nikolai Gogol e Vladimir Mayakovsky. Perguntada sobre as suas preferências literárias como tradutora, responde o seguinte:

“Na verdade, tenho preferência por todos aqueles que traduzi, pois, certamente, são sempre escolhas de cunho muito pessoal. Traduzir Gogol foi uma ousadia, um risco, mas também uma grande aventura. Posso dizer o mesmo de Mayakovsky, Tchekhov, Bunin… enfim, é difícil estabelecer uma preferência. Até mesmo traduzir os textos teóricos do encenador russo de vanguarda Vsevolod Meyerhold levou-me a um contacto extraordinário com um universo cultural russo muito surpreendente, aquele das intempestivas vanguardas russas do início do século XX”.

Os autores russos contemporâneos também são editados, diz a professora Arlete:

“Temos já disponíveis em língua portuguesa do Brasil muitos textos fundamentais da literatura russa em traduções excelentes, muito bem editadas. Sem dúvida, a literatura russa clássica está mais difundida do que a contemporânea, embora tenhamos já projetos para a tradução de muitos dos textos dessa última em andamento. Muitos autores importantes, que marcam, por exemplo, o assim chamado pós-modernismo russo poderiam ser ainda mais traduzidos, como, por exemplo, Vladimir Sorokin, Viktor Pelevin, Ludmila Petrushevskaya, Tatiana Tolstaya e tantos outros”.

Um livro não consiste só do texto do autor cujo nome figura na capa. Há elementos proporcionados pela equipe editora. E os responsáveis pela publicação ajudam para fazer um livro excelente, sublinha a senhora Cavaliere:

“Só posso elogiar os editores com os quais tenho trabalho para a publicação de meus livros. Tenho tido muita felicidade em estabelecer e concretizar projetos com editores sensíveis, inteligentes, que não apenas editam, mas colaboram para o aprimoramento dos textos, dando sugestões e muitas vezes propondo notas e comentários, que só enriquecem o meu trabalho. Penso ser fundamental trabalhar com editores que, antes de mais nada, amam a literatura e a cultura russas”.

Uma das editoras mais conhecidas no Brasil, a Editora 34, dará neste ano uma continuação considerável à sua Coleção Leste, projeto dedicado à literatura russa. Segundo o editor da Coleção, Cide Piquet, há vários títulos, entre eles dois inéditos proeminentes. São “Contos de Kolyma” de Varlam Shalamov, traduzidos por Denise Sales, Elena Vassilevich, Lucas Simone, Cecília Rosas, Marina Tenório e Nivaldo dos Santos, e “A Escavação”, de Andrei Platonov, tradução de Mário Francisco Ramos (brasileiro, professor de literatura russa na USP) e Yulia Mikaelyan (russa, tradutora e professora, hoje vivendo no Brasil).

 

Fonte: Rádio Voz da Rússia

Editora brasileira relança livro clássico sobre Titanic

3245356221Walter Lord (1917-2002)

Quase sessenta anos após o lançamento original da obra em 1955, em inglês, a editora Três Estrelas publica no Brasil o melhor trabalho de pesquisa jamais feito sobre o naufrágio em 1912, com 1.500 mortos, do célebre transatlântico britânico “Titanic“. Trata-se de “Uma noite fatídica”, do historiador americano Walter Lord (1917-2002), que foi o principal consultor do famoso filme de 1997. Cumpre lembrar que a tradução mais literal do título do livro seria “Uma noite para ser lembrada”, e que uma tradução mais literária seria “Uma noite inesquecível”.

Embora já tenham passado seis décadas desde que o livro foi publicado, ele dificilmente será superado como fonte de documentação sobre o “Titanic”. Acontece que, escrevendo quarenta anos após o naufrágio, Lord ainda pôde entrevistar 63 sobreviventes, o que não vai mais ser possível. Além dessa riqueza documental, Lord escreveu a história de uma forma mais usual na grande ficção: a sucessão de cenas minuto a minuto vistas pelos pontos-de-vista de diferentes pessoas, transmitindo ao leitor a sensação de que ele está vendo ao vivo as dramáticas cenas do naufrágio.

Walter Lord, se pode dizer, literalmente nasceu para narrar a saga do “Titanic”. Nascido em Baltimore, seu avô era dono de uma companhia de navegação marítima e o menino cresceu nesse ambiente. Aos 9 anos, em 1926, o pequeno Walter viajou de Nova York para Cherburgo, na França, e Southampton, na Inglaterra, nada mais nada menos do que no transatlântico “Olympic”, construído pelos mesmos estaleiros do “Titanic” e segundo um projeto semelhante; apenas o “Olympic” era um pouco menor e foi lançado ao mar um ano antes de sua “nave-irmã” e esteve em serviço até 1935.

O terceiro e último navio da mesma família, ou, como dizem os profissionais da navegação marítima, da mesma classe, o “Britannic”, era maior do que o “Titanic”, mas não teve melhor sorte do que o “irmão” mais famoso: lançado ao mar logo no início da Primeira Guerra Mundial, foi transformado em navio-hospital de campanha e, em 1916, afundou ao largo da Grécia após ter sido atingido por uma mina, ou por um torpedo, em combate.

113661585SZLord se formou em 1939 em História, pela Universidade de Princeton, e, depois de ter atuado durante a Segunda Guerra Mundial em Londres, como decifrador de códigos do inimigo, se formou também em Direito na Universidade de Yale. Tornou-se escritor de livros históricos para o grande público, que fizeram sucesso e em que narrava batalhas da Segunda Guerra Mundial, a vida americana no século 19 e no início do século 20, especialmente sobre a era que precedeu a Primeira Guerra.

Apesar do sucesso de seus livros, quando lançou “Uma noite fatídica”, Lord, que nunca se casou, estava trabalhando como redator publicitário na agência J. Walter Thompson. De todo modo, foi o seu livro que consagrou o “Titanic” como um mito do século 20. O naufrágio do navio tinha tido grande repercussão quando ocorreu, mas então a comunicação em massa estava praticamente restrita à mídia impressa. Depois, com o correr das décadas, outros assuntos passaram a dominar os interesses do grande público: a Primeira Guerra Mundial, a ascensão do comunismo e do fascismo, a Grande Depressão dos anos 1930, a ascensão do nazismo, a Segunda Guerra Mundial.

Em meados dos anos 1950, no entanto, no Ocidente se vivia um período relativamente bastante pacífico e ao mesmo tempo de uma prosperidade em termos absolutos – nunca houve tanta igualdade econômica entre as populações – mas em que o todo tempo se sentia que aquela estabilidade toda estava ameaçada pela Guerra Fria, pela possibilidade sempre presente da guerra atômica.

Por isso tudo, quando o livro de Lord sobre o “Titanic”, ao fazer reviver a história do frenesi tecnológico em torno do navio considerado “inafundável” e que teve o casco cortado por um iceberg submarino como uma faca corta manteiga, a obra caiu como uma luva ao encontrar um público que vivia um momento de grande estabilidade e de grande progresso, ao mesmo tempo desconfiado de que aquela segurança toda ia ser bruscamente abalada a qualquer momento.

Assim, por meio da obra de Lord, o mito do “Titanic” tomou corpo, e como se manteve até hoje a sensação de que a qualquer momento a relativa placidez em que se vive no Ocidente pode ser tumultuada por alguma catástrofe, esse mito, e o interesse por “Uma noite fatídica” se mantêm, como se pode ver também pelo fato de que o filme “Titanic”, de quinze anos atrás, volta e meia retorna à tela da televisão. Ainda mais porque o livro de Lord retrata os seres humanos como eles são: capazes de heroísmos e de vilanias pérfidas.

Há desde os cavalheiros em trajes de gala que caminham para a morte certa sem em momento nenhum se desalinharem, até os que pulam para um barco salva-vidas abandonando no convés a própria esposa. Isso sem contar que todos os recursos de salvamento foram priorizados para os passageiros ricos, ficando os passageiros de terceira classe abandonados à sua própria sorte nos porões inundados.

 

Fonte: Luis Nassif Online

Empresa lança tradutor de sites corporativos para Libras

HandTalk(Imagem: Divulgação)

Após o sucesso do aplicativo, que foi eleito pela ONU o melhor app social do Mundo, e que em apenas 5 meses já bateu a marca de 7 milhões de traduções, a Hand Talk lançou oficialmente na Campus Party Brasil, evento que é considerado o maior acontecimento tecnológico do mundo, mais uma grande inovação em acessibilidade para a comunidade surda. Trata-se de um tradutor automático capaz de reconhecer textos de websites e interpretá-los, em tempo real, para Libras, a Língua Brasileira de Sinais.

“Implementando um simples botão no site, o conteúdo em texto pode ser interpretado em Libras pelo nosso intérprete virtual, o Hugo, que vem esbanjando simpatia por onde passa”, afirma Ronaldo Tenório, CEO da empresa. A iniciativa beneficia quase 10 milhões de pessoas no Brasil que tem problemas auditivos (IBGE 2010), uma vez que grande parcela das pessoas com surdez não compreende perfeitamente o português e depende exclusivamente da Libras para se comunicar.

“Quanto mais pessoas utilizarem o Hugo para traduzir os sites acessíveis, mais inteligente ele vai ficando e a qualidade da tradução vai melhorando a cada dia. A interpretação fica cada vez mais precisa a medida que mais websites contratarem o serviço e implementarem o botão de acessibilidade.”, diz Carlos Wanderlan, CTO da Hand Talk.

O lançamento oficial do serviço para websites corporativos aconteceu na Startup & Makers, realizada na Campus Party Brasil, evento que atrai anualmente milhares de pessoas para acompanharem diversas atividades sobre inovação, ciência, cultura e entretenimento digital.

Esse ano o evento ocorreu entre 28/01 e 01/02/2014 no Centro de Convenções do Anhembi, em São Paulo.

 

Fonte: Correio do Estado