Saúde

Memória fixa

Por Sofia Moutinho

memoria-fixa01No experimento, pessoas que ingeriram uma quantidade de cafeína equivalente à encontrada em duas ou três xícaras de café mostraram maior capacidade de fixação de memória de longo prazo. (foto: Flickr/ Chichacha – CC BY 2.0)

Antes de ir para aula ou trabalho, nada melhor que uma xícara de café para espantar o sono e manter a mente alerta. Não há dúvidas de que a cafeína presente na bebida tem esses efeitos. O que não é ainda bem conhecido, no entanto, é a ação dela sobre a memória. Um novo estudo de pesquisadores norte-americanos lança luz sobre essa questão ao mostrar que a ingestão de doses moderadas da substância estimulante melhora a fixação da memória de longo prazo.

Depois de conduzir testes com mais de 100 pessoas, os pesquisadores, da Universidade Johns Hopkins e da Universidade da Califórnia , ambas nos Estados Unidos, verificaram que um mínimo de 200 mg de cafeína administrada depois de uma sessão de aprendizado aumenta a capacidade de memorizar o conteúdo recebido pelo menos até o dia seguinte.

Na experiência, os voluntários receberam cartelas com imagens – como uma cesta de piquenique e um saxofone – e tiveram que classificá-las entre ‘objetos de dentro de casa’ e ‘objetos externos’. Logo depois da tarefa, metade das pessoas recebeu uma dose de cafeína e a outra metade recebeu um placebo, sem efeito químico.

Um dia depois, os pesquisadores reapresentaram aos dois grupos de voluntários as cartelas, substituindo algumas das imagens por outras de objetos semelhantes, mas não idênticos aos originais. Também foram acrescentadas novas cartelas com objetos inéditos. Foi pedido às pessoas que discriminassem entre esses três tipos de imagens (originais, novas e semelhantes).

memoria-fixa02Um dia após visualizarem cartelas com diferentes imagens, os voluntários tiveram que discriminar, em um novo conjunto de cartelas, as imagens novas, originais e semelhantes às do grupo anterior. (foto: Borota et al/ Nature Neuroscience)

Os testes foram conduzidos com três dosagens diferentes de cafeína: 100 mg, 200 mg e 300 mg. Ao final, tanto o grupo que ingeriu cafeína quanto o grupo que não ingeriu conseguiu identificar as imagens novas, mas somente as pessoas dos grupos que receberam 200 mg ou 300 mg da substância conseguiram diferenciar as imagens semelhantes das originais.

“Pesquisas anteriores com animais já haviam demonstrado que a cafeína atua sobre a memória de curto prazo – medida alguns minutos após um aprendizado –, mas nenhum estudo tinha ainda testado a atuação da substância sobre a memória de longo prazo, responsável pela recordação de eventos que ocorreram há mais de um dia”, conta Michael Yassa, neurocientista da Universidade Johns Hopkins e um dos autores do estudo, publicado esta semana na Nature Neuroscience.

Para o pesquisador, a experiência é importante porque foi a primeira a administrar a cafeína depois do desempenho de uma tarefa e não antes. “A maioria dos estudos testa a cafeína administrada antes do aprendizado, o que torna difícil dissociar os efeitos sobre a memória dos outros efeitos produzidos pela cafeína, como o aumento da atenção e da velocidade de processamento neural”, comenta.

Os pesquisadores também conduziram testes nos quais a cafeína foi ingerida apenas no segundo dia após o aprendizado e não obtiveram bons resultados, o que indica que a substância atua na consolidação das memórias e não no seu resgate.

Efeitos variados
A dosagem utilizada na experiência é facilmente conseguida ao se beberem duas xícaras de café seguidas e está abaixo do limite diário de 600 mg, acima do qual a substância é considerada perigosa. No entanto, Yassa alerta que a cafeína pode ter efeitos colaterais como dor de cabeça e nervosismo, observados inclusive entre os voluntários de sua pesquisa.

“Ingerir cafeína à noite pode provocar insônia e doses grandes podem gerar dor de cabeça, ansiedade e aumento da pressão arterial, que pode ser especialmente perigoso para quem tem um histórico de doença cardíaca”, diz. “Tudo depende do metabolismo da pessoa: para alguns, um pedaço de chocolate tem cafeína suficiente para ficar alerta, mas outros, como eu mesmo, precisam de quatro xícaras de café para conseguir o mesmo efeito.”

O pesquisador pondera que mais estudos são necessários antes que a substância seja recomendada como terapia. O próximo passo do grupo será tentar descobrir os mecanismos fisiológicos por trás da melhoria de memória provocada pela ingestão de cafeína por meio de exames de imagem do cérebro e testes toxicológicos.

 

Fonte: Instituto CH

Café da manhã pode não ser tão importante quanto se pensa

FrühstückImagem: Torsten Schon

Muito se diz sobre a suposta importância vital que teria a primeira refeição do dia para a manutenção de uma dieta saudável. Por consequência, é comum o pensamento de que um café da manhã balanceado ajude no controle do peso, podendo levar até mesmo ao emagrecimento.

Segundo esta visão, quem não come nada logo que acorda sente mais fome ao longo do dia, e vai compensar a falta de calorias com outros alimentos, muitas vezes não tão saudáveis. “A verdadeira relação entre comer café da manhã e o peso corporal, se é que existe, ainda é uma questão aberta”, disse o doutor David Allison em entrevista publicada hoje no site do New York Times. Autor de um estudo que saiu no The American Journal of Clinical Nutrition, Allison é também diretor do Centro de Pesquisa em Nutrição e Obesidade da Universidade do Alabama.

O artigo sustenta que grande parte das pesquisas médicas sobre o tema são influenciadas por um princípio conhecido como “viés de confirmação”. Em poucas palavras, o efeito consiste em uma tendência muito comum de refutar informações que contradigam a própria hipótese, selecionando apenas os dados que a sustentem. “Cientistas são humanos, também são suscetíveis ao ‘viés de confirmação’”, explicou Allison.

Junto com colegas, o doutor constatou que o único estudo mais aprofundado e confiável sobre o assunto foi publicado em 1992, e gerou uma série de citações imprecisas em artigos posteriores. A maioria defendia explicitamente a relação entre o consumo de café da manhã e a inibição do ganho de peso, enquanto a primeira pesquisa apenas concluía que o principal fator para o emagrecimento eram as mudanças de rotina no desjejum matutino.

Allison critica fortemente a cultura da produtividade no meio acadêmico. “Estamos fazendo estudos que têm pouco ou nenhum valor. Estamos gastando tempo, intelecto e recursos, convencendo as pessoas sobre coisas sem de fato gerar evidências”. Para esclarecer melhor esta realidade, o doutor usou uma metáfora: “da mesma forma que padeiros assam pães, cientistas escrevem artigos, e são recompensados por publicá-los”.

 

Fonte: Revista Galileu

‘A mente humana é preguiçosa’, diz psicólogo

puede-la-mente-humana-quedarse-sin-memoriaImagem: Divulgação

Mudanças costumam gerar estresse e ansiedade. A passagem de um estágio a outro implica em encarar o desconhecido, provoca a desorganização de um sistema de hábitos que fundamentam uma falsa segurança nas relações, no dia a dia. No fim, pensamos, é melhor ficar como está.

“A mente humana é preguiçosa”, diz o psicólogo Walter Riso. “Ela se autoperpetua, é levada por seu parecer e tem uma alta propensão ao autoengano”.

Em Pensar Bem, Sentir-se Bem, Riso defende que nossa mente cria armadilhas de autossabotagem e que a maioria de nossos problemas são ilusões que se originam em ideias pré-concebidas.

Segundo o autor, a mente “busca sobreviver a qualquer custo, mesmo se o preço for se manter na mais absurda irracionalidade”. Por isso, uma pessoa é capaz de evitar um relacionamento afetivo por medo de ser magoada num futuro imaginário.

Ainda assim, ressalta Riso, duas emoções contraditórias –medo e curiosidade– incentivam e freiam os impulsos humanos. Revisar e abandonar crenças requer mais coragem do que se imagina.

“As teorias ou as crenças que elaboramos durante toda a vida sobre nós mesmos, sobre o mundo e sobre o futuro se aderem a nossa psique, mimetizam-se como todo o fundo informacional, e as transformamos e verdades absolutas”, conta.

Riso, que também assina “Manual para não Morrer de Amor”, “Amar ou Depender?”, “Amores de Alto Risco” e “O que Toda Mulher Deve Saber Sobre os Homens”, é terapeuta e professor universitário.

 


Imagens-Ebooks-DLD-9788542201550

—————————
Pensar Bem, Sentir-se Bem

Autor: Walter Riso
Editora: Academia
Páginas: 240
Quanto: R$ 19,90
Onde comprarLivraria da Folha


 

Fonte: Folha de S. Paulo

São Paulo flexibiliza lei para incentivar o uso de bicicletas

GIOVANA PASQUINIFoto @ Giovana Pasquini

A Comissão de Proteção à Paisagem Urbana, da Prefeitura de São Paulo, autorizou a flexibilização da lei Cidade Limpa para divulgação de um programa de incentivo ao uso de bicicletas como meio de transporte na cidade.

Por nove votos favoráveis contra três contrários, a comissão permitiu a propaganda em 5 mil ônibus e 3 mil táxis da cidade, durante um mês, do projeto Pedala São Paulo, que tem o apoio do empresário João Paulo Diniz –família fundadora do Grupo Pão de Açúcar.

A permissão, que vale por 30 dias, também valerá para 60 bicicletários e tem “finalidade cultural”. Com isso, não poderá fazer menção a nenhuma marca. O projeto tem o aval do secretário municipal de Esportes, Celso Jatene.

Essa não é a primeira vez que a lei, de 2007, ganha ressalvas. Em julho de 2010, o então prefeito Gilberto Kassab (PSD) — que implementou a lei — autorizou a propaganda em luminosos dupla face que ficam em cima dos carros com mensagens relativas a eventos turísticos, como Parada Gay, Fórmula 1, Indy e Virada Cultural, feiras, exposições e atrações culturais da cidade.

Na ocasião, a exceção partiu de um acordo entre a SPTuris e uma agência de marketing.

Na gestão Fernando Haddad (PT), esta é a segunda vez que há flexibilização da lei. Em abril passado, a prefeitura liberou cartazes de peças e apresentações em teatros e casas de shows na cidade.

 

Fonte: Folha de S. Paulo

High blood sugar linked to dementia

People with diabetes face an increased risk of Alzheimer’s disease and other forms of dementia, a connection scientists and physicians have worried about for years. They still can’t explain it.

(*Getty Images)

Now comes a novel observational study of patients at a large health care system in Washington State showing that higher blood glucose levels are associated with a greater risk of dementia — even among people who don’t have diabetes. The results, published Thursday in The New England Journal of Medicine, “may have influence on the way we think about blood sugar and the brain,” said Dr. Paul Crane, the lead author and associate professor of medicine at the University of Washington.

The researchers tracked the blood glucose levels of 2,067 members of Group Health, a nonprofit HMO, for nearly seven years on average. Some patients had Type 2 diabetes when the study began, but most didn’t. None had dementia.

Over the years, as they saw doctors at Group Health, the participants received blood glucose tests. “It’s a common test in routine clinical practice,” Dr. Crane said. “We had an amazing opportunity with all this data. All the lab results since 1988 were available to us.”

The participants (average age at the start: 76) also reported to Group Health every other year for cognitive screening and, if their results were below normal, further testing and evaluation. Over the course of the study, about a quarter developed dementia of some kind, primarily Alzheimer’s disease or vascular dementia.

To measure blood sugar levels, the researchers combined glucose measurements, both fasting and nonfasting, with the HbA1c glycated hemoglobin assay, which provides a more accurate long-term picture. They also adjusted the data for other cardiovascular factors already linked to dementia, like high blood pressure and smoking.

“We found a steadily increasing risk associated with ever-higher blood glucose levels, even in people who didn’t have diabetes,” Dr. Crane said. Of particular interest: “There’s no threshold, no place where the risk doesn’t go up any further or down any further.” The association with dementia kept climbing with higher blood sugar levels and, at the other end of the spectrum, continued to decrease with lower levels.

E. Martinez/Agence France-Presse @ Getty Images

This held true even at glucose levels considered normal. Among those whose blood sugar averaged 115 milligrams per deciliter, the risk of dementia was 18 percent higher than among those at 100 mg/dL, just slightly lower. The effects were also pronounced among those with diabetes: patients with average glucose levels of 190 mg/dL had a 40 percent higher risk of dementia than those whose levels averaged 160 mg/dL.

Though a longitudinal study like this one provides insight into the differences between people, it can’t explain why higher blood glucose might be connected to dementia, or tell individuals whether lower blood glucose is protective.

“People shouldn’t run for the hills or try crazy diets,” Dr. Crane cautioned. While an epidemiological study like this one can guide further exploration, he said, “This doesn’t show that changes in behavior that lower your individual blood sugar would decrease your individual risk of dementia.”

As for the blood glucose levels the study recorded, “clinically, they’re not big differences,” said Dr. Medha Munshi, a geriatrician and endocrinologist who directs the geriatric diabetes program at the Joslin Diabetes Center in Boston, who was not involved in the study. “I wouldn’t change my goals for diabetes management based on this study.” Nor would she warn someone whose blood glucose hits 115 mg/dL that he or she faces a greater risk of dementia.

But because diabetes itself can pose such a threat to health and quality of life, she still urges patients to adopt healthy practices like exercising regularly and maintaining a normal weight to try to avoid the disease. If by doing so they also lower their dementia risk — and knowing that would require a different study, focused on interventions — that would be a bonus.

This research “offers more evidence that the brain is a target organ for damage by high blood sugar,” said Dr. Munshi. “And everyone is still working on the ‘why’.”

 

Source: The New York Times

Nova-iorquinos usam hora do almoço para dançar

nyc

A maioria das pessoas prefere tirar o horário de almoço para fazer uma refeição e descansar antes de voltar ao batente no escritório. Mas, em Nova York, muita gente está optando por passar o intervalo em uma pista de dança.

O Lunch Beat surgiu na Suécia há três anos atrás, e hoje já se espalhou por 55 cidades do mundo.

A proposta é que as pessoas dancem por uma hora antes de voltar ao trabalho.

Segundo uma das organizadoras do projeto em Nova York, dançar durante o almoço deixa as pessoas mais produtivas e alegres no resto do expediente.

 

Fonte: BBC Brasil